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Carta SOS Providência em tradução para o inglês da RioOnWatch.org

Letter from Residents of Morro da Providência to the People of Rio

Click here for original article in Portuguese.

S.O.S. PROVIDÊNCIA

Did you know the oldest favela in Brazil is being destroyed?

Since 2009, Rio’s Port Region has been transformed into a massive construction site by the contractors OAS, Carioca, and Odebrecht. Together these companies have invaded the region with three projects: First, the “Marvellous Port” project – a ‘revitalization’ project coordinated by the Company for Port District Urban Development (CDURP), and financed by public money (FGTS) and by the sale of public land in the region, where 70% of the land is public; Second is the “Morar Carioca” upgrading project in Morro da Providência, which is run by the Municipal Housing Secretary at an estimated cost of R$119 million; Third, the “Olympic Port” project, which is one of the city’s major urban beautification interventions for the Olympic Games of 2016.

Yet long before any of these projects, Morro da Providência already existed in the Port Region. According to historians, it is the oldest favela in Brazil, inhabited for over 110 years. It’s part of our Brazilian heritage, a link to Afro-Brazilian culture, and is the birthplace of the first samba schools such as the “Vizinha Faladeira,” and of the first pagode music groups such as the “Conjunto Nosso Samba!”

OUR HISTORY IS IN DANGER

Construction and more construction, planned by the big real estate and tourism entrepreneurs, is destroying our memories, our history, our entire lives. The mainstream press doesn’t report that the construction of the funicular tram and overhead cable car in Providência are being implemented from the top down, without any kind of community participation, and without any technical study proving the necessity of these modes of transport. Will they really be used? We already know that the cable car in Complexo de Alemão is underused and that it doesn’t meet residents’ needs.

The media has also failed to report that the upgrading program Morar Carioca calls for the removal of 832 houses from Providência. These houses have already been criminally spray-painted for removal by the Municipal Housing Secretary, and unfortunately some have already been removed, under the argument that 317 of the houses are blocking construction, and that 515 of them are in geologically risky areas (we have a counter-report proving that in Providência the great majority of houses are NOT in areas of risk).  City Hall is terrorizing residents and offering 400 reais in subsidized rent – which isn’t enough to pay for any house worth living in; or an assisted housing purchase, which is also a robbery; or a flat compensation out of touch with the reality of the market. (See report, in Portuguese, from O Povo newspaper)

According to the “Morar Carioca Project General Urbanization Plan,” the number of residential units to be built over two years is less than the number of removals. There are only 639 units in the plans. 58 units at Rua Ladeira do Farias 91; 20 on Ladeira do Barroso; 4 in the historic downtown; 131 on Nabuco de Freitas; 77 at Cardoso Marinho 68; 349 at Aldomaro Costa 83. That would be a shortage of 193 houses, if a single family lived in each unit; however, in this community most households contain more than one family – families that have built their homes over many years, with a lot of hard work, and don’t want to leave!

For the construction of the cable car they robbed us of our only recreational space – Américo Brum Square. For the construction of a road that will connect the cable car to the Port neighborhood, several families in the “Toca” area have already been stripped of their homes with very little compensation. For the construction of a sports center – which they also didn’t ask our opinion about – the area known as AP on Ladeira do Farias was demolished and nearly 60 families were evicted overnight. In this case, the City demolished houses with people still in them. One resident has stayed in her building and is resisting all types of pressure, forcing the city to suspend construction of the sports complex. She has lived in AP for 35 years and holds ownership rights on that property. Our Right to Housing is not being respected!

Furthermore, we have lived day after day among the debris, holes, garbage; harassed by the noise of construction equipment that doesn’t even stop at night, and prevented from taking Ladeira do Barroso, which was one of the only roads between Providência and the Central Train Station. We feel the environmental impact in our skin, yet the construction was authorized without an Environmental Impact Study. The impact on neighborhood life was not taken into consideration either. Some people who have already left the community have not been able to find schools for their children, and they are far from relatives and friends. Rents have increased. Before long we won’t be able to pay.

We want the people of the city of Rio de Janeiro to know that the residents of Providência are not squatters and are not against urbanization!

We are men and women who live here because we have a history here, and we need to survive. Most residents have been here for more than 20 years. Our entire life is here, our children’s lives, our grandchildren’s. Everything is nearby: school, hospitals, work, the market, recreation, etc. We believe the City government is largely responsible for all this trouble, and we are coming together to guarantee that no more houses will be torn down, and that the improvements will actually benefit us.

In conclusion, the social legacy we want from the 2014 World Cup and the 2016 Olympics is the continuity of Morro da Providência and the guarantee that we too can live in this marvellous city. We ask the people of Rio to help us spread the word about what is happening in our city.

– Providência Residents’ Commission and Port Community Forum

Translation provided by 

CARTA ABERTA À POPULAÇÃO DO RIO DE JANEIRO

 

 

 

SOS PROVIDÊNCIA

Você sabia que a favela mais antiga do Brasil está sendo destruída?

Desde 2009 a região Portuária do Rio de Janeiro transformou-se num grande canteiro de obras das empreiteiras OAS, Carioca e Odebrecht. Juntas essas empresas invadiram a área com três projetos: 1º é o que eles chamam de “PORTO MARAVILHA”, um projeto de “revitalização” da Zona Portuária que está sendo coordenado pela CDURP – Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região Portuária e financiado pelo dinheiro público (FGTS) e pela venda da terra pública existente na região (70% dos terrenos são públicos); 2° é o Programa de Urbanização MORAR CARIOCA do Morro da Providência que está subordinado a Secretaria Municipal de Habitação e orçado no valor de 119 milhões e o 3° é o Projeto PORTO OLÍMPICO que é parte das grandes intervenções urbanas de embelezamento da cidade para os Jogos Olímpicos de 2016.
Contudo, muito antes desses projetos já existia na área portuária o MORRO DA PROVIDÊNCIA. Segundo historiadores essa é a favela mais antiga do Brasil, com mais de 110 anos de ocupação, patrimônio do povo brasileiro, remanescente da cultuta afro-descendente e berço das primeiras escola de samba como a “Vizinha Faladeira” e dos primeiros grupos de pagode como o “Conjunto Nosso Samba”!

ATUALMENTE TODA NOSSA HISTÓRIA ESTÁ EM PERIGO!

Obras e mais obras pensadas pelo grandes empresários do setor imobiliário e do turismo estão destruindo a nossa memória, nossa história e toda nossa vida! A grande imprensa não divulga que as construções do Teleférico e do Plano inclinado do Morro da Providência estão sendo implementados de cima para baixo, sem nenhum tipo de participação social da comunidade e sem nenhum estudo técnico que comprove a necessidade da construção desses equipamentos de transporte! Mas será que eles realmente sevem para isso? Já sabemos que o teleférico do Complexo do Alemão está subutilizado e que não atende as necessidades dos moradores!!!
A mídia também não informa que o próprio projeto de Urbanização Morar Carioca prevê a remoção de 832 casas da Providência! Estas já foram criminosamente pixadas pela Secretaria Municipal de Habitação e, infelizmente, algumas delas já foram removidas! Sob o argumento de que 317 destas casas estão no caminho das obras e que 515 estão em área de risco (já temos um contra-laudo provando que na Providência a grande maioria das casas NÃO está em área de risco) a Prefeitura está aterrorizando moradores e oferecendo como contrapartida um aluguel social de 400 reais que não dá para pagar nenhuma casa digna para morarmos, ou uma compra assistida que também é uma roubada, ou ainda uma indenização fora da realidade do mercado. (Veja matérias do Jornal O Povo)

Segundo a “Planta Geral de Urbanização do Projeto Morar Carioca” o número de unidades habitacionais planejadas para serem construídas ao longo de dois anos é menor do que o número de remoções! São apenas 639 unidades habitacionais previstas! 58 unidades na Ladeira do Farias n° 91; 20 na Ladeira do Barroso; 4 no Centro Histórico; 131 na rua Nabuco de Freitas, 77 na rua Cardoso Marinho n°68; 349 na Aldomaro Costa n°83. Faltariam ainda 193 casas se considerarmos que em cada casa vive só uma família, no entanto, na comunidade a maioria das casas possui mais de uma família morando; famílias que construíram suas casas ao longo de muitos anos e com muito trabalho e que não querem sair dali!
Para a construção do Teleférico roubaram a nossa única área de lazer – A Praça Américo Brum! Para a construção de uma rua que vai ligar o Teleférico à Vila Portuária várias famílias da área da “Toca” já foram desapropriadas com valores baixíssimos! Para a construção de um centro esportivo, que também não nos consultaram sobre a necessidade, a área conhecida como AP na Ladeira do Farias foi demolida e desalojou cerca de 60 famílias de um dia para o outro. Nesse caso a Prefeitura demoliu casas ainda com pessoas dentro!!! Uma moradora ainda mora neste imóvel e vem resistindo a todo tipo de pressão, obrigando a prefeitura a suspender os trabalhos de um complexo esportivo. Ela mora no AP há 35 anos e tem direito de posse daquele imóvel! O nosso Direito à Moradia não está sendo respeitado!
Além disso, temos vivido de domingo à domingo em meio aos entulhos, buracos, lixos, atormentados pelo barulho das máquinas da obra que não param nem de noite e impedidos de transitar pela Ladeira do Barroso que é uma das únicas ruas que liga a Providência à Central do Brasil. Sentimos o impacto ambiental na pele e mesmo assim a obra foi liberada sem nenhum Estudo de Impacto Ambiental prévio! O impacto de vizinhança também não é considerado! Há pessoas que já saíram do Morro e que estão sem escola para os filhos, longe de parentes e amigos! O valor dos aluguéis já subiu! Daqui a pouco não conseguiremos mais pagar!
Gostaríamos que o povo da cidade do Rio de Janeiro soubesse que os moradores da Providência não são invasores nem contra a urbanização! Somos mulheres e homens que moramos aqui porque temos uma história aqui e precisamos sobreviver! A maioria dos moradores está aqui há mais de 20 anos, toda nossa vida é aqui, a dos nossos filhos, dos nossos netos! Tudo é perto, escola, hospitais, trabalho, mercado, lazer etc. Acreditamos a Prefeitura é a principal responsável por todo esse transtorno e estamos unidos para garantir que nenhuma casa mais seja derrubada e que as melhorias nos beneficiem!
Para finalizar, o legado social da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016 que queremos é permanência na Providência e a garantia de que também poderemos viver nesta cidade maravilhosa! Pedimos à população carioca que nos ajude a divulgar o que está acontecendo com a nossa cidade!

Comissão de Moradores da Providência e Fórum Comunitário do Porto


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