Posts Tagged 'gastos públicos'

Remoção do Elevado da Perimetral: Ampliando o debate

Não se trata apenas de discutir a demolição da Perimetral, pois teremos também a extinção da Avenida Rodrigues Alves e uma total redefinição das ligações viárias ali existentes. Estamos falando da “esquina da metrópole”. Um pedaço da cidade onde temos a confluência entre a Ponte Rio-Niterói, a Avenida Brasil e algumas das principais ligações viárias do Centro, e deste com a Zona Sul. Isso tudo leva esse trecho a suportar um número de viagens diárias que passa facilmente da casa dos milhões.

A ideia da demolição não é nova e reaparece na atual gestão com uma total e absoluta falta de transparência. O projeto nunca foi apresentado publicamente, seus custos estão subdimensionados e os efeitos sobre a mobilidade são discutíveis. Quase ninguém sabe o que será feito, muito menos como, nem quando ou por quanto.

Projetos alternativos poderiam ser elaborados de modo a melhorar os aspectos estéticos, o conforto acústico e a integração da estrutura do elevado com a paisagem do entorno — inclusive com os novos empreendimentos previstos para a região. Pesquisadores da FAU/UFRJ chegaram a elaborar uma proposta que reunia essas e outras características, mas sequer foram ouvidos pela prefeitura. O diálogo não está em pauta.

A relação do poder público com a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Porto (CDURP) e o consórcio Porto Novo ganha contornos de psicopatologia. Alardearam o projeto Porto Maravilha como uma ação financiada predominantemente com recursos privados, através dos Cepacs, e a CEF banca tudo com os recursos do FGTS. Anunciaram a demolição da Perimetral a custo zero e agora já se fala em R$1,2 bilhão. A prefeitura repassa por lei direitos, obrigações e prerrogativas exclusivas do poder público para a CDURP, esta repassa tudo por contrato para o consórcio, e este, para dar conta de parte dessas obrigações, contrata empresa… da prefeitura!

As últimas ações no reordenamento do tráfego urbano, principalmente na região do Centro, tem apontado para uma estratégia, no mínimo, inadequada. Uma série de inversões de direção, além de fechamentos e realocações de acessos, tem levado ao desvio das principais rotas de automóveis e linhas de ônibus. Com isso, algumas vias que tinham um papel estruturante na rede viária passam a ser meras alimentadoras. Por um lado, essas vias têm seu fluxo diário bastante diminuído. Por outro lado, as demais vias estruturais passam a receber uma carga muito maior, levando à formação de novos gargalos e pontos de retenção que duram o dia inteiro e não apenas os horários de pico.

Pelos poucos dados disponibilizados até agora, esse mesmo processo já está sendo gestado na região portuária. A combinação da demolição da Perimetral com a criação do Binário e a reconfiguração da malha viária da região apontam para a formação de um certo enclave territorial, onde os principais fluxos de longo curso serão desviados e concentrados para fora dali, transferindo os engarrafamentos já quase insuportáveis para áreas com menos visibilidade e, pelos critérios dos nossos atuais gestores, importância. A demolição da Perimetral trará consequências muito sérias para quem mora no Rio. Precisamos cobrar a ampliação desse debate.

JORGE BORGES é especialista em Planejamento Urbano e mestre em Planejamento de Transportes.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/opiniao/ampliar-debate-5279755#ixzz1yvgGEBDG 
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“…as PPPs não tiveram muito sucesso na área federal.”

A Operação Urbana Consorciada do Porto do Rio – sob o nome fantasia “Porto Maravilha” – representa 1/3 de todas as parcerias público privadas (PPPs) existentes, hoje, no Brasil. 

Esta é a informação da Associação Brasileira de Consultoras em Engenharia (ABCE) que também defende a flexibilização da legislação das PPPs, conforme matéria abaixo veiculada pela ADEMI – Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário.

‘PPPs precisam de regras mais claras’
O Globo, Negócios & cia, 17/abr

Mauro Viegas Filho é presidente da Associação Brasileira de Consultoras em Engenharia (ABCE). A entidade organiza seminário, neste início de semana, na Firjan, sobre Parcerias Público-Privadas (PPPs) e concessões no Brasil. Viegas Filho diz que o sucesso dos modelos depende de mudanças na legislação. As regras precisam de clareza, resume.

Como avalia o desempenho das PPPs no Brasil hoje?

MVF: Oito anos depois da regulamentação, em 2004, as PPPs não tiveram muito sucesso na área federal.

…Leia o artigo inteiro: Porto Maravilha e PPPs

Qualidade de Vida para todos! (quem arranja R$ 300 mil para investir)

“Cariocas já esperam pelos prédios residenciais da região para morar ou investir”

O Globo publicou um artigo com este título sobre as expectativas e dinâmicas no setor imobiliário na Zona Portuária. (http://oglobo.globo.com/imoveis/cariocas-ja-esperam-por-residenciais-do-porto-para-morar-ou-investir-4520172).

Naturalmente, a realidade pouco maravilhosa para muitos cariocas, (ex-) moradores e moradoras da região, esta sendo negada no artigo. Ao contrário: a autora Karine Tavares demonstra mais uma vez o posicionamento do império de mídia “O Globo” a favor dos interesses da elite financeira e política no país.

Prefiro (…) ter qualidade de vida do que passar duas horas por dia no trânsito“.

Esta citação de um administrador de empresas que pretende comprar um apartamento na Zona Portuária deve parecer até cínico para um morador da área, ignorado e marginalizado socialmente pelo Estado por anos, claro que sempre na espera (insatisfeita) de mais qualidade de vida! O uso para aqueles que compram apartamentos na área nem sempre é a própria moradia! Quem tem os recursos financeiros compra apartamento na Zona Portuária como um investimento, que pode dar retornos enormes no futuro.

Obras de drenagem, abertura para túneis e a demolição do Terminal Rodoviário Henrique Otte, que fica numa das áreas edificáveis do projeto, tem sido efetuados pela prefeitura. Investindo na infraestrutura da região, a prefeitura tem o papel fundamental de por em via o processo desta “revitalização”. Obviamente, este projeto não serve para melhorar as condições de vida dos moradores. Ele é direcionado a atrair mais investimento na área e assim de criar condições atrativos para mais capital entrar.

Com o Rio super valorizado e a expectativa de preços de terra subindo extremamente a cada ano, o mercado imobiliário está pronto para investir. Mas reclamam das Cepacs: para construir acima do limite da legislação, é preciso comprar títulos – e este custo entra no cálculo de rentabilidade de cada empresa.

O tipo de empreendimentos são, na minoria, residenciais. A construção de apart-hotéis e o condomínio Porto Olímpico, são signos óbvios do projeto do aburguesamento da área. Está sendo pensada também a transformação de prédios antigos em “lofts”, em outras cidades no mundo símbolo para a elitização e o aburguesamento de bairros populares nos últimos anos. Porém, a “revitalização” nunca se faz sentir sem uma troca da estrutura de moradores. Assim de repente são gringos, artistas e a burguesia carioca que se interessam pela área antigamente abandonada.

Pudera! Um sobrado, em 2009 ainda vendido por valores que variavam de R$ 160 mil a R$ 180 mil este ano já pode ser comprado por quatro vezes este valor.

ENQUETE, ENQUETE, ENQUETE

R$ 3 bilhões para obras de transporte na cidade

Nesta semana, a ADEMI (Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário) publicou um informe sobre a visita das obras de infraestrutura do projeto Transcarioca em Madureira.

Nos próximos anos um valor de R$ 3 bilhões vai ser investido na implantação dos projetos de infraestrutura, planejados para facilitar a estadia dos turistas durante os jogos Olímpicos.

A Prefeitura vai gastar R$171 milhões para a Transbrasil, a qual vai ligar Deodoro ao Aeroporto Santos Dumont, passando pelas avenidas Francisco Bicalho e Presidente Vargas, provavelmente vindo a impactar a área portuária. R$ 1,1 bilião virão do PAC da Mobilidade Urbana. Outros projetos  são a implantação da Transoeste (que vai ligar a Barra a Santa Cruz), e a Transolímpica que ligará a Barra a Deodoro e ainda está em fase de licitação.

Os visitantes oficiais adularam mais uma vez os grandes eventos programados para o Rio. Alegaram a melhoria da qualidade de vida para “a população carioca” em consequência do legado urbano “para a cidade e seus habitantes”.

Será que vai ser mesmo o “povo brasileiro”, que aproveitará destes projetos? As demandas dos turistas visitantes dos eventos desportivos serão as mesmas da população trabalhadora? Não é nova a fala da presidente sobre “a oportunidade que o povo brasileiro terá de mostrar o País ao mundo”. Realmente, as oportunidades parecem promissoras para aqueles que tem a concessão de implementar o projetos: as construtoras. Não cabendo nesta imagem toda, as acusações de despejos ilegais causando uma piora nas condições de vida da população afetada pelas obras, obviamente ficaram fora da discussão.


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