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Qualidade de Vida para todos! (quem arranja R$ 300 mil para investir)

“Cariocas já esperam pelos prédios residenciais da região para morar ou investir”

O Globo publicou um artigo com este título sobre as expectativas e dinâmicas no setor imobiliário na Zona Portuária. (http://oglobo.globo.com/imoveis/cariocas-ja-esperam-por-residenciais-do-porto-para-morar-ou-investir-4520172).

Naturalmente, a realidade pouco maravilhosa para muitos cariocas, (ex-) moradores e moradoras da região, esta sendo negada no artigo. Ao contrário: a autora Karine Tavares demonstra mais uma vez o posicionamento do império de mídia “O Globo” a favor dos interesses da elite financeira e política no país.

Prefiro (…) ter qualidade de vida do que passar duas horas por dia no trânsito“.

Esta citação de um administrador de empresas que pretende comprar um apartamento na Zona Portuária deve parecer até cínico para um morador da área, ignorado e marginalizado socialmente pelo Estado por anos, claro que sempre na espera (insatisfeita) de mais qualidade de vida! O uso para aqueles que compram apartamentos na área nem sempre é a própria moradia! Quem tem os recursos financeiros compra apartamento na Zona Portuária como um investimento, que pode dar retornos enormes no futuro.

Obras de drenagem, abertura para túneis e a demolição do Terminal Rodoviário Henrique Otte, que fica numa das áreas edificáveis do projeto, tem sido efetuados pela prefeitura. Investindo na infraestrutura da região, a prefeitura tem o papel fundamental de por em via o processo desta “revitalização”. Obviamente, este projeto não serve para melhorar as condições de vida dos moradores. Ele é direcionado a atrair mais investimento na área e assim de criar condições atrativos para mais capital entrar.

Com o Rio super valorizado e a expectativa de preços de terra subindo extremamente a cada ano, o mercado imobiliário está pronto para investir. Mas reclamam das Cepacs: para construir acima do limite da legislação, é preciso comprar títulos – e este custo entra no cálculo de rentabilidade de cada empresa.

O tipo de empreendimentos são, na minoria, residenciais. A construção de apart-hotéis e o condomínio Porto Olímpico, são signos óbvios do projeto do aburguesamento da área. Está sendo pensada também a transformação de prédios antigos em “lofts”, em outras cidades no mundo símbolo para a elitização e o aburguesamento de bairros populares nos últimos anos. Porém, a “revitalização” nunca se faz sentir sem uma troca da estrutura de moradores. Assim de repente são gringos, artistas e a burguesia carioca que se interessam pela área antigamente abandonada.

Pudera! Um sobrado, em 2009 ainda vendido por valores que variavam de R$ 160 mil a R$ 180 mil este ano já pode ser comprado por quatro vezes este valor.

R$ 3 bilhões para obras de transporte na cidade

Nesta semana, a ADEMI (Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário) publicou um informe sobre a visita das obras de infraestrutura do projeto Transcarioca em Madureira.

Nos próximos anos um valor de R$ 3 bilhões vai ser investido na implantação dos projetos de infraestrutura, planejados para facilitar a estadia dos turistas durante os jogos Olímpicos.

A Prefeitura vai gastar R$171 milhões para a Transbrasil, a qual vai ligar Deodoro ao Aeroporto Santos Dumont, passando pelas avenidas Francisco Bicalho e Presidente Vargas, provavelmente vindo a impactar a área portuária. R$ 1,1 bilião virão do PAC da Mobilidade Urbana. Outros projetos  são a implantação da Transoeste (que vai ligar a Barra a Santa Cruz), e a Transolímpica que ligará a Barra a Deodoro e ainda está em fase de licitação.

Os visitantes oficiais adularam mais uma vez os grandes eventos programados para o Rio. Alegaram a melhoria da qualidade de vida para “a população carioca” em consequência do legado urbano “para a cidade e seus habitantes”.

Será que vai ser mesmo o “povo brasileiro”, que aproveitará destes projetos? As demandas dos turistas visitantes dos eventos desportivos serão as mesmas da população trabalhadora? Não é nova a fala da presidente sobre “a oportunidade que o povo brasileiro terá de mostrar o País ao mundo”. Realmente, as oportunidades parecem promissoras para aqueles que tem a concessão de implementar o projetos: as construtoras. Não cabendo nesta imagem toda, as acusações de despejos ilegais causando uma piora nas condições de vida da população afetada pelas obras, obviamente ficaram fora da discussão.


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