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“Remover para construir; destruir para construir”: o teatro dos horrores da Política Urbana do Rio de Janeiro

É absurdo atrás de absurdo… Primeiro a prefeitura do Rio, através do programa Morar Carioca, sob responsabilidade da SMH, remove moradores da Providência e destrói suas residências na área conhecida como Apê, sob a alegação de que, nessa área, será construído equipamento de esporte e lazer. É importante observar que aos pés da favela foi erguido um importante complexo de lazer, a Vila Olímpica da Gamboa, inaugurada em 2004, como parte integrante de ações de “revitalização” da Região Portuária, sob o nome “Plano Porto do Rio”,  ainda na gestão do então prefeito Cesar Maia que veio a “abortar” o próprio plano a partir da não construção do  museu Guggenheim, no Pier Mauá.  Outros projetos somaram-se às ações de revitalização da região,  como a criação da Cidade do Samba, o programa Favela Bairro Providência, o projeto Célula Urbana e sua proposta de transformar a favela da Providência em um “Museu à Céu Aberto”. Assim, a Vila Olímpica é parte integrante de diferentes temporalidades de políticas urbanas superpostas na região portuária, desde o século XIX, que, de uma forma ou de outra, produziram esse espaço urbano a partir de ideais de modernização e progresso capitalista e, mais recentemente, revitalização.
Pois bem, agora é a Vila Olímpica da Gamboa que está no centro de uma nova decisão da Prefeitura do Rio que prevê destruir parte do equipamento para dar lugar à construção do Centro Integrado de Operação e Manutenção do VLT (ver matéria abaixo).  Não há lógica pública nessa espécie de “teatro dos horrores” em que se transformou a política urbana no Rio, ou a sua ausência (?). Remover para construir; destruir para construir. É a “máquina de crescimento urbano” em ação! Se o espaço é uma mercadoria, não o é como outra qualquer. São grandes os desafios para subordinar o espaço à dinâmica de aceleração do tempo da mercadoria e das finanças no atual estágio das relações capitalistas. Fragmentar o solo urbano, destruir/reconstruir o ambiente construído; alterar as formas de uso e ocupação do solo; criar terra virtual e vendê-la na bolsa de valores… são alguns dos mecanismos para ultrapassar esses desafios.  O que ocorre na Região Portuária do Rio, através da Operação Urbana Consorciada do Porto, é a demostração do papel estratégico do Estado em todo esse processo de transformação do solo urbano aos interesses da reprodução expandida do capital.
Isabel Cristina da Costa Cardoso
Professora adjunta da FSS/UERJ
Membro do Fórum Comunitário do Porto
Coordenadora do Projeto de extensão “Direito à Cidade, Política Urbana e Serviço Social” (FSS/UERJ)
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Parte da Vila Olímpica da Gamboa será demolida para dar lugar ao VLT

POR CHRISTINA NASCIMENTO

Fonte: portal O Dia

Rio – Depois da polêmica internacional envolvendo a Escola Municipal Friedenreich, que poderá ser demolida pelas obras do Complexo do Maracanã, outro patrimônio público está ameaçado: a Vila Olímpica da Gamboa. Uma parte do espaço dará lugar ao Centro Integrado de Operação e Manutenção (Ciom) do Veículo Leve Sobre Trilho (VLT) da Zona Portuária, que será gerido por empresa privada.

O prédio será construído onde hoje estão as quadras de basquete, vôlei e handebol, o campo de futebol e a pista de atletismo. A vila atende a mais de 2,5 mil pessoas, a maioria do Morro da Providência.

Vila olímpica da Gamboa atende a mais de 2,5 mil pessoas, com suas quadras de basquete, vôlei e handebol, campo de futebol e a pista de atletismo | Foto: André Mourão / Agência O Dia

Vila olímpica da Gamboa atende a mais de 2,5 mil pessoas, com suas quadras de basquete, vôlei e handebol, campo de futebol e a pista de atletismo | Foto: André Mourão / Agência O Dia

A mudança está detalhada no edital de licitação feito pela Prefeitura do Rio para o sistema de transporte que vai circular no Centro. O documento diz que a área do complexo aquático também está comprometida para o empreendimento privado, mas a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), responsável pelo projeto, nega que as piscinas serão demolidas.

A empresa que ganhar a concorrência pública para administrar o VLT terá a obrigação de reconstruir a vila olímpica. Será também responsável pela implantação dos projetos urbanísticos e paisagísticos do espaço.

No edital, o município justifica a desapropriação da vila ao considerar a área apropriada, em localização e dimensão, para possibilitar o cumprimento do cronograma previsto para a implantação do VLT.

O prédio do Ciom terá oficinas, estacionamento com 30 vagas e setor operacional e administrativo. Ficará em um terreno de 18 mil m². A previsão é que a obra fique pronta no final de 2014.

Paes lançou ali projeto para Olimpíadas

Há três anos — por ironia do destino —, a Vila Olímpica da Gamboa foi palco do lançamento do “Rio em Forma Olímpico”. Na época, o prefeito Eduardo Paes defendeu o projeto dizendo que o objetivo era incentivar a prática esportiva entre crianças e jovens de comunidades e buscar novos talentos. A ideia foi motivada pela escolha do Rio como sede dos Jogos 2016.

O espaço na Gamboa foi criado em 2004, na gestão de Cesar Maia. Para a pedagoga e moradora da Providência Maura Silva, 37, a vila é referência para a comunidade. “É local importante porque você tira a criança do tempo ocioso, livra ela do tráfico, por exemplo. É um espaço que atende não apenas à população da região como de outros bairros também”.

Vila olímpica seria instalada nas alturas

A Cdurp explicou que os equipamentos esportivos – ou os escombros deles – que darão lugar ao prédio do VLT serão transferidos para um terreno vizinho durante a construção do novo empreendimento.

“Após a conclusão da obra, os equipamentos serão reconstruídos no mesmo local, sobre o prédio do Ciom, sem prejuízo à comunidade”, informou a Cdurp em nota, sem entrar em detalhes.

A previsão é que em 2014 duas linhas do VLT comecem a operar: Vila de Mídia-Cinelândia via Praça Mauá e Central-Praça Mauá via Túnel da Providência. As outras quatro entrarão em operação até 2016.

UERJ SEM MUROS: Projeto de extensão da Faculdade de Serviço Social da UERJ apresentará amanhã, 04/09, balanço de atividades realizadas na Zona Portuária


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