Removidos: da Primeira República à Olimpíada

 

Vale a pena conferir o texto produzido por Gabriel Camargo, estudante de comunicação da PUC-Rio, e outros alunos, para o Portal PUC-Rio Digital. Na ocasião, quando tudo ainda era uma “boa ideia de trabalho”, o grupo contatou o Fórum Comunitário do Porto, participou de uma das plenárias do FCP  e apresentou sua proposta de matéria. Agora é a vez de parabenizarmos ao grupo pelo resultado alcançado e partilhar aqui a excelente qualidade do material produzido. 

 
 
Gabriel Camargo – Do Portal – PUC-RIO DIGITAL. 
04/06/2013.
 
 
 
arquivonacionalcorreiodamanha
 

 Às vésperas de receber a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016, o Rio de Janeiro vive uma fase de grandes intervenções urbanas, com a abertura de vias, expansão da rede de transporte e remoções de moradias para abrir caminho para as máquinas. Segundo o Comitê Popular Rio Copa & Olimpíadas, mais de 7 mil famílias em 24 comunidades cariocas devem ser removidas de suas casas até 2016. Desde 2009, 19.220 famílias cariocas foram reassentadas pela prefeitura, a grande maioria (18.428) por viver em áreas de risco.

Considerada oficialmente a primeira favela do país, a do Morro da Providência, no Centro, nasceu de uma remoção: inconformados com a demolição de um cortiço, em 1893, seus moradores utilizaram os restos da construção para erguer barracos improvisados no morro. Quatros anos depois, chegaram soldados que combateram na Guerra de Canudos, à espera de morada na então capital federal, promessa nunca cumprida pelo governo.

Hoje, a Providência vive um momento delicado entre o desenvolvimento da Zona Portuária – fica entre a Central do Brasil e a Cidade do Samba – e a desapropriação. Segundo dados do Fórum Comunitário do Porto, 832 casas (cerca de um terço do total) foram marcadas para demolição. Dessas, 140 já foram destruídas. De acordo o site da Secretaria Municipal de Habitação, as obras no morro vão beneficiar 5.500 moradores e 1.720 residências. Em documentos da prefeitura, das casas desapropriadas, 515 têm como justificativa estarem em áreas de risco.

leia a matéria completa  AQUI. (PDF)

 

 

 
 

COPA POPULAR CONTRA AS REMOÇÕES!

Se você gosta de futebol, é contra a política de remoções no Rio de Janeiro e deseja uma cidade que não se transforme em uma mera mercadoria do capital, então faça como o Fórum Comunitário do Porto e venha no dia 15 de junho prestigiar e torcer na abertura da Copa Popular contra as Remoções !

COPA POPULAR CONTRA AS REMOÇÕES! Sábado, 15/6, a partir das 9h.

Publicado em 11/06/2013

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No próximo sábado (15), quando terá início a Copa das Confederações no Brasil, uma outra copa estará acontecendo no Rio de Janeiro, a Copa Popular Contra as Remoções! Um campeonato que quer promover a integração das comunidades ameaçadas por esse projeto de cidade que exclui a população de baixa renda do Rio de Janeiro.

Providência, Santa Marta, Salgueiro, Indiana, Muzema, Vila Autódromo, Vila Recreio II e muitas outras comunidades estarão presentes! Os jogos começam às 9h. Chega mais!

No dia vai ser lançado o saci como Mascote Popular da Copa! O saci é copyleft, vai poder ser vendido nos mercados populares e pelos ambulantes.

A partir das 17h, haverá uma festa junina no mesmo local. Quilombo da Gamboa foi o nome escolhido pelos futuros moradores do conjunto que será construído na zona portuária, bem no centro da dita revitalização do Porto Maravilha, em frente à Cidade do Samba. Local conquistado com muita luta e mobilização e que será palco da Copa Popular!

Serviço

Quando: Sábado, dia 15/6, a partir das 9h
Local: Quilombo da Gamboa – Rua da Gamboa 345, Gamboa – Rio de Janeiro (mapa aqui: http://goo.gl/maps/WQQz8)

Entrevista com Beto Moreira e com o Fórum Comunitário do Porto

Blog Mídia e Questão Social – Cinco Dedos de Prosa

Publicado em  1 de junho, 2013.

Morro da Providência

Foto: Blog Mídia & Questão Social, 2010.

  “Minha casa, minha vida é o lugar onde eu moro!”
Márcia, moradora do Morro da Previdência
Prezados leitores,
O Brasil começou a “inaugurar” estádios para a Copa do Mundo. Vários deles, segundo a própria imprensa (ver o blog do jornalista Juca Kfouri, da UOL), têm suspeitas e apurações em curso acerca de superfaturamentos. Foram previstos com um custo inicial muito abaixo do que efetivamente já se gastou em sua “modernização”. A imprensa brasileira tem indicado ainda outro efeito destas alterações: a alta dos preços dos ingressos, que tendem a expulsar dos jogos e eventos destes locais segmentos da população que costumavam ter na presença no estádio uma possibilidade de diversão. Outras análises apontam para a grande probabilidade de, em curto espaço de tempo, alguns dos estádios se tornarem inúteis, tendo em vista a baixa utilização prevista para seus espaços.
No Rio de Janeiro, além da Copa do Mundo de 2014, haverá, em 2016, as Olimpíadas. Grandes transformações estão assolando a cidade.

Publicação na mídia

A  Rádio CBN do Rio de Janeiro, publicou :

SEXTA, 31/05/2013, 19:39

Moradores do Centro retirados para obras do Porto Maravilha esperam há 10 meses pela entrega das novas moradias

Secretaria municipal de Habitação determinou que eles se mudem para Campo Grande, e não para Triagem como havia sido combinado.

Leia mais: http://cbn.globoradio.globo.com/rio-de-janeiro/2013/05/31/MORADORES-DO-CENTRO-RETIRADOS-PARA-OBRAS-DO-PORTO-MARAVILHA-ESPERAM-HA-10-MESES-PELA-ENTR.htm#ixzz2VMcWMZ6l

Confira!

 

Onde estão os recursos da venda dos Cepacs para o programa de atendimento econômico e social da População diretamente afetada pelo Projeto Porto Maravilha?

Por Isabel Cristina da Costa Cardoso

Alguém sabe o que é ou já escutou falar sobre programa de atendimento econômico e social da população diretamente afetada pelo projeto Porto Maravilha? Poucos, com certeza. Mas acontece que dentre os princípios previstos na Lei nº101/2009 que fundamentam a OUC do Porto do Rio – isso que se cunhou chamar de Projeto Porto Maravilha – está o referido programa de atendimento econômico e social da população diretamente afetada.

O Estatuto da Cidade define que qualquer plano de operação urbana consorciada, no país, deve prever o programa de atendimento econômico e social da população diretamente afetada como componente obrigatório de uma Operação Urbana. Assim, não é uma benesse do Projeto Porto Maravilha, muito menos uma ação de “responsabilidade social” empresarial e sim uma obrigação legal. Contudo, para o cumprimento de tal dispositivo legal é necessário definir e planejar políticas, alocar recursos, produzir estudos de impacto ambiental e de vizinhança da OUC e dar publicidade sobre seus diagnósticos e alternativas propostas. Sem isso, não é possível definir como se distribuem desigualmente os impactos positivos e negativos sobre a população diretamente afetada pela OUC e, consequentemente, não se estabelece uma clara relação entre tal estudo e diagnóstico e a construção de um programa de atendimento econômico social para a população afetada. Afetada pelo o que? Quem é afetado? A OUC produz apenas impactos positivos durante a sua instalação e posterior operação? E os impactos negativos e positivos são igualmente distribuídos e apropriados socialmente no território pelas classes sociais?

É fundamental então saber: 1) como se encontra definido o referido programa de atendimento econômico e social da população diretamente afetada na lei que aprovou o Projeto Porto Maravilha e para qual segmento social as suas ações se voltam prioritariamente; 2) se o programa “saiu do papel” e através de quais ações efetivas tem sido implementado?; se essas formas de ação estão em consonância com a Lei nº101/2009 e com o Estatuto da Cidade?

Texto completo aqui.

O FÓRUM COMUNITÁRIO DO PORTO APÓIA A LUTA DA COMUNIDADE DO HORTO! LEIA, DIVULGUE E PARTICIPE VOCÊ TAMBÉM!

Prezado(a)

O Manifesto do Horto, para o qual pedimos seu apoio, não é uma declaração de princípios, nem um grito de protesto: é uma ação objetiva, com o intuito expresso de evitar a verdadeira catástrofe social que está ocorrendo, agora, na comunidade do Horto Florestal, no Rio de Janeiro.

Em carta enviada ao Presidente do STF, Ministro Joaquim Barbosa, em 06 de maio, a Professora Raquel Rolnik (Relatora Especial da ONU para o Direito à Moradia Adequada) pede que o Mandato de Segurança dos moradores, impetrado em novembro/2012, seja julgado com urgência, para que se evitem, nas suas palavras, “eventuais violações ao direito humano à moradia adequada e se alcance uma situação pactuada e eficaz para a situação”.

Este Manifesto pretende unir as muitas vozes que compartilham esta opinião, enxergam através dos artifícios da grande mídia associada à especulação imobiliária, e não compactuam com os seus desígnios. Acadêmicos, autoridades em qualquer das várias áreas envolvidas – Direito, Urbanismo, Ecologia, História, Geografia, Sociologia, entre outras – jornalistas, comunicadores, ocupantes de cargos públicos, organizações de defesa de direitos humanos, enfim, pessoas públicas, autoridades ou membros da sociedade civil cuja opinião não possa ser ignorada facilmente.

A urgência é essencial. A comunidade vem sendo enormemente pressionada, pela mídia e por autoridades envolvidas, numa desumana tortura psicológica. Em anexo encontra-se o texto do Manifesto, em PDF. Para efetivar seu apoio, basta enviar para o e-mail flj50@hotmail.com a mensagem abaixo (pode copiar e colar, se quiser):

“Expresso meu apoio e subscrevo o Manifesto do Horto, cujo texto me foi enviado.

(Nome completo)………………………………………………………………………………….

(Qualificação – acadêmica, profissional, cargo ou função, entidade, grupo)…………………………”

É importante que cada apoio seja, também, um multiplicador, repassando a outras pessoas com a mesma consciência social este apelo, para em prazo mínimo reunir um número impactante de assinaturas representativas.

Neste momento, está em suas mãos a oportunidade de ajudar a preservar não só uma comunidade histórica ameaçada de aniquilação, mas os princípios sociais e democráticos tão caros a todos nós, que estão sendo afrontados.

Qualquer esclarecimento desejado pode ser obtido através do mesmo e-mail. Desde já, agradecemos sua colaboração, em nome de mais de 500 famílias, e de toda a sociedade brasileira.

Grupo de Apoio à Luta do Horto

 

MANIFESTO DO HORTO

  

Exma. Sra.

Dilma Rousseff

Presidenta do Brasil

 

 Senhora Presidenta,

 

Repudiamos categoricamente a “decisão final” apresentada pela Ministra do Meio  Ambiente, Sra. Izabella Teixeira, para a questão fundiária do Horto Florestal, no Rio de Janeiro, que representa a erradicação de toda uma comunidade histórica, pela remoção compulsória de mais de quinhentas famílias dos lares onde habitam, em muitos casos, há gerações.

 

Precedida de uma massacrante campanha difamatória da mídia monopolística  diretamente interessada, desprovida de qualquer transparência, dita decisão apresenta-se como um retrocesso indefensável nas práticas da democracia. É uma violação ao direito humano fundamental à moradia, injustificável sob o aspecto ecológico, jurídico, ou outro qualquer.

 

Uma medida de consequências tão graves e tamanha violência social não poderia jamais ser tomada, senão precedida pela mais ampla discussão, que não aconteceu. Este debate, necessariamente incluindo os legítimos representantes da comunidade afetada, e esgotando as possibilidades de uma solução consensual ou negociada, deveria demonstrar com absoluta clareza as razões de real interesse público a justificar tal ato.

 

Tais razões, Senhora Presidenta, não existem. Nada impede que se conciliem harmoniosamente as necessidades de expansão do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico e a regularização fundiária dos residentes, exceto o inconfessável preconceito e os interesses escusos da especulação imobiliária, associados a um projeto de cidade – e de sociedade – excludentes.

 

Esta inaceitável limpeza social, por sua truculência e arbitrariedade, vem provocando repulsa, e sendo denunciada e combatida em foros acadêmicos, sociais e políticos, nacionais e internacionais.

 

Pedimos veementemente que V. Exa., atuando de forma compatível com os princípios democráticos e constitucionais, determine, com a urgência que a  situação exige, que seja interrompida de imediato esta agressão a seu povo, e aberto amplo e franco debate sobre a questão, para o qual comprometemo-nos desde já a contribuir.

 

Providência a ver navios

Matéria publicada no jornal Metro
Dia 13/05/2013

Providencia

As maravilhas prometidas para o futuro da região portuária parecem estar distantes da comunidade da Providência, no Centro. Seis meses após a decisão judicial que paralisou as obras na primeira favela do Brasil, moradores denunciam remoções de casas e a falta de projetos sociais destinados à população carente. Artistas usam suas armas para conseguir mobilizar a opinião pública internacional sobre o assunto.

A comunidade receberá R$ 163 milhões do Morar Carioca, da Secretaria Municipal de Habitação (SMH). A verba será aplicada na reurbanização da região, em saneamento e no reassentamento dos moradores. O programa prevê também a criação de um centro esportivo e uma escola. Os removidos reclamam do baixo valor pago no imóvel pela prefeitura, já que a área sofre valorização com as obras. Em um dos locais mais altos do morro, há um prédio conhecido como Oratória.

O monumento tem vista privilegiada da baía de Guanabara. O projeto de remodelação quer tornar o local mais visível.

832
casas devem ser derrubadas,
segundo a planta da organização
do programa Morar Carioca.
O Fórum Comunitário do
Porto afirma que mais de 100
residências já foram desocupadas.

O assunto foi parar no jornal norte-americano “The New York Times”. O artigo “Em nome do futuro, o Rio está destruindo o passado” foi publicado em agosto de 2012. As obras da Prefeitura foram embargadas em decisão da 2a Vara de Fazenda Pública da Capital, expedida em novembro. No entanto, as casas continuam marcadas com a tinta verde da SMH. Apenas a construção do teleférico, orçada em R$ 75 milhões, continuou.

“A Oratória era o Redentor da cidade antes do Cristo. Não justifica remover as pessoas daqui. Eles fazem parte da história da região. A comoção no exterior ajudará melhorar esse cenário”, acredita Maurício Hora, fotógrafo e morador da Providência. Ele retrata as mazelas da comunidade em seu trabalho.

Segundo a SMH, o destino das famílias é negociado até os últimos recursos. São oferecidas três alternativas: um apartamento do programa “Minha Casa, Minha Vida”, a compra de um imóvel com valor equivalente ao anterior, ou é paga uma indenização. A construção de 122 unidades habitacionais, na rua Nabuco de Freitas, na Gamboa, está adiantada e as casas serão entregues em breve.

 

“A mobilização da
imprensa de fora do
país é importante. Estão
acabando com a história.”
MAURÍCIO HORA, FOTÓGRAFO

 

“A Providência é tão
importante para o Rio
quanto o Corcovado, a
Lagoa ou o Pão de Açúcar.”
LUIZ ANTÔNIO SIMAS, HISTORIADOR

 

“Minha cabocla, a Favela
vai abaixo/ Quanta
saudade tu terás deste
torrão (…) /Que nos enche
de carinho o coração.”
SINHÔ, SAMBISTA A FAVELA VAI ABAIXO

História

Governo faz programa de memória das favelas

A Subsecretaria de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos e Territórios do Estado selecionou 10 comunidades para o programa de resgate da memória das favelas. Neste primeiro momento, o programa acontecerá no Andaraí, Batan, Chapéu Mangueira/ Babilônia, Complexo de São Carlos, Morro da Formiga, Santa Marta, Turano, Ladeira dos Tabajaras/ Cabritos, Vidigal/Chácara do Céu e Rocinha. Cada comunidade receberá ações de acordo com as demandas locais. A Providência não foi contemplada pelo projeto.

“Com todas as contradições, a Providência é fundamental para a história do Rio”, diz Luiz Antônio Simas, mestre em História Social pela UFRJ. Não é a primeira vez que os moradores da Providência correm perigo de remoção. O sambista Sinhô compôs, na década de 1920, “A Favela
vai abaixo”, sobre o risco de implosão da comunidade.

Europeu retrata removidos em residências

A polêmica sobre as remoções atravessou o Atlântico e comoveu o artista plástico português Alexandre Farto, conhecido como Vhils. O resultado foi a criação de uma galeria à céu aberto na Providência. A obra “Descascando a Superfície” lapidou nas paredes das casas o retrato de antigos moradores que foram removidos. O trabalho, que já havia comovido o público londrino e lisboeta, foi realizado na comunidade carioca em novembro do ano passado.


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Mesa 5 – Transformações urbanas e resistências

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